Deixando São Paulo para trás

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Depois de dormir numa praça em Itapura, levantei acampamento e tomei rumo da estrada, pois já que iria ficar parado no final de semana, que fosse num local novo para mim.

De Itapura até 3 Lagoas são 40 quilometros, sendo 5 só para sair da cidade. Apesar de fisicamente ser perto, sem barco não tem jeito, tem que dar a volta.

Segui na estrada na esperança de deixar logo os chatos, quentes, desagradáveis e fedidos canaviais de São Paulo. Antes achava ruim o cheiro de bosta das vaquinhas, mas nada se compara a garapa da cana, que saudade da bosta das vacas.

Logo que saí da cidade, cruzei a ponte sobre o Rio Tietê, que está bem mais limpo que em São Paulo mas já sofre com a infestação por algas que basicamente se alimentam de poluição. Como já passei por aqui 3 vezes, garanto que o rio está bem pior que antes, portanto vejo um futuro bem sombrio para o nosso rio.

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São cerca de 30 quilômetros para chegar de Itapura até a divisa do estado de SP com MS. Portanto rumo a Tres Lagoas.

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Não há ponte e temos que atravessar pela movimentada barragem. Ela tem cerca de 5 Km de extensão, é tão alta que tem duas eclusas. Parei para tirar a classica foto comprovando que cruzei o estado.

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Quando fui passar o guarda na guarita me barrou, dizendo que eu não poderia passar sozinho e que tinha que esperar uma escolta. Menos mal, pior seria proibir de vez. Aliás, de bike rola uma escolta, mas a pé é proibido, ou seja, se quiser cruzar o estado sem crise, vá de carro. Desencanei de perder tempo brigando com segurança, cruzei o estado e cheguei em 3 Lagoas.

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Logo de cara há uma ciclovia no canteiro central. A cidade é plana e lotada de bicicletas, mas a sinalização é claramente projetada para o ciclista “atrapalhar” o menos possivel os idolatrados donos de automóveis. Claro que sem investir na auto-estima e beneficios aos ciclistas, logo a cidade estará infestada de motos.

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Fiquei dando voltas na cidade, fiquei sabendo que havia um belo Balneário, mas devido a uma tempestade que ocorreu a dois meses, ele estava interditado. Fui na prefeitura pedir indicação de um canto para dormir e me mandaram para um albergue.

Nada contra, bacana eles terem um local legal para acolher viajantes e pessoas sem moradia, mas eu queria é ficar em contato com a natureza, o máximo possível. Então quando estava procurando uma Lan House, parei numa bicicletaria onde me deram a dica de ir até a Radio Caçula, dar uma entrevista e ver se eles poderiam me ajudar a encontrar um local.

Fiz isso e no final acabou dando certo. A jornalista fez uma entrevista comigo, depois fez umas ligações e conseguiu autorização para que eu ficasse no Balneário que esta interditado. A matéria até já foi publicada no site deles e claro que não deram tanta atenção para a viagem em si, dando mais ênfase no fato de ter na cidade um ilustre ciclista que já pedalou pelado.

Tudo bem, ao menos estou num lugar maravilhoso, tendo o descanso que tanto preciso e onde conheci figuras maravilhosas, como o Juarez que fez a janta para nós ontem (com a ajuda do Fagner) e hoje , que fizeram a janta para mim ontem e hoje venho na sua folga me trazer o almoço.

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Daqui a pouco vou pescar e ver se consigo algo pra janta. O lugar é belissimo e é uma pena estar fechado a população. O maior problema é a rede de proteção que foi destruida durante a tempestade, mas segundo o Juarez, ela já foi trocada e retiraram as arraias que estavam dentro da área.

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Portanto dá para reabrir o local rapidamente, basta só interditar a área no entorno dos quiosques com problemas, fazer uns pequenos reparos e abrir esse belíssimo local para a população. Uma pena ver o pessoal vindo até a porta mas ter que voltar por causa da interdição.

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Bem, agora vou pescar e ver se teremos algo diferente para a janta.

5 thoughts on “Deixando São Paulo para trás

  1. Aline Guarini

    Ola. Fiquei sabendo do Projeto Biomas e também da sua parada em Três Lagoas. Nasci em Três Lagoas e fico muito feliz por saber que gostou da cidade. Realmente é um lugar lindo mas sinto muito que você tenha ficado no balneário, não que seja um lugar ruim, mas com certeza tem muitos melhores e com muito mais contato com a natureza, ja que, pra mim, o balneário ja nem tem tanto contato com a natureza assim.
    Se tiver oportunidade volte e conheça a cidade melhor.
    Quanto a reabrir o local, pode parecer simples arrumar o estrago la, mas não sei se você andou em outras partes da cidade, mas a tempestade causou muitos outros estragos, inclusive em casas que moravam familias, então prioridades devem ser mantidas. Acho que reabrir o balneário nesse momento, não é uma delas. Mas com certeza sera feito o quanto antes, pois concordo que é um lugar lindo que não deve ficar fechado.
    Quanto a infestação das moto, isso ja aconteceu ha um tempo, mas não acho que seja pela frustração de ter sido um ciclista-pouco-incentivado. Só acho que foi um, como posso dizer, o que algumas pessoas chamam de “progresso”, mesmo eu não concordando. O ciclismo realmente é pouco explorado, e devemos investir nisso sim. Sua passagem por aqui talvez ajude e muito (espero), até porque não temos pessoas somente interessadas em “um ilustre ciclista que já pedalou pelado”. Com certeza temos pessoas interessadas na sua viagem, nos lugares que conheceu, nas culturas, nas pessoas, nos BIOMAS.
    Achei fantástica sua idéia. E fico feliz que tenha gostado da nossa cidade.
    Muito sucesso nessa viagem!
    Abraço

    1. bicicreteiro

      Poxa Aline, com certeza deve haver lugares mais belos, mas uma pena não ter me procurado lá para me apresentar esses lugares. A questão das motos é um problema social. As pessoas migram da bicicleta para as motos como uma espécie de “evolução” quando na verdade estão regredindo. Passam a gastar mais, a poluir mais, passam a ficar mais sedentárias trazendo problemas de saúde e pior, se acidentam cada vez mais. O pessoal daí disse que diariamente há acidentes com motoqueiros e quando não ocorrem mortes.

      Moto é um problema sério e de certa forma ajudam a degradar as cidades. Ainda durante a viagem quero fazer um post só sobre isso, com minhas experiências em São Paulo e nas cidades que passei. Espero que continue acompanhando o blog. E quando falo do desestimulo ao uso da bicicleta, digo porque quando há políticas públicas nesse sentido, essa migração para as motos não ocorre de forma tão abrupta, como ví até agora.

      Abraços

      André Pasqualini

  2. Pedro Miani

    cara, você é meu idolo!
    eu adoro esse negocio de cicloturismo mas largar tudo como você fez e partir numa viagem dessas é apenas para quem tem muita coragem (e loucura também).
    eu conheci sua história atravez da coluna do Destak e dou a maior força para vc terminar sua viagem com sucesso!
    Cuide-se!

  3. Gilberto Kyono

    Bom, era um um fruto inesperado do WNBR mas, em todo caso, foi bem vindo! Melhor eles te deixarem no balneário ou então vc pedalava pelado na cidade e ficava a noite na delegacia! Hhahahaha. Força!

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